sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Universidade e Democracia, uma reflexão para além dos malditos 15%


 

Gostaria de escrever esse texto de forma rápida e direta, sem a necessidade de me basear em citações e frases de efeito, mas me salvaguardarei esse direito no intuito de trazer "peso" às minhas reflexões.
Dia 05 de outubro de 2008, todo cidadão brasileiro está "convocado" (eufemismo para Legalmente obrigado) a comparecer em sua seção eleitoral e participar do, como a imprensa brasileira gosta de nomear, show da democracia brasileira!
Show!? Sim, afinal não temos a melhor técnica de sufrágio, sendo inclusive exemplo para a grande democracia da águia americana!? Infelizmente, o show democrático brasileiro se encerra aí, em uma soberania tecnicista que se dá por satisfeita nos seus meios. (Lembrando que não interessa no momento apontar os problemas tecnológicos)
Pense, "mas e daí, isso não era sobre universidade?".
Sim, é. Nossa universidade está inscrita no mesmo sistema democrático, que por sinal completará 20 anos no exato dia de nossas eleições municipais de 2008. Em 05 de outubro de 1988, os "representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social (...) promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil".
Esse dia é simbolicamente guardado pela imagem de Ulysses Guimarães levantando aquele pequeno livro cuja capa faz alusão à nossa bandeira nacional e que simbolizava a liberdade do povo brasileiro tanto tempo recluso à um sistema ditatorial, a Constituição Cidadã, comemora 20 anos de uma liberdade que não atinge a todos. Infelizmente Ulysses não está mais vivo para questionarmos como que é possível existir uma Universidade autônoma que não segue os ditados democráticos da Constituição da República, porque ao longo de seus 250 artigos, não fui capaz de achar uma resposta.
Se 4 anos é muito tempo, 20 anos é tempo demais, pois há 20 anos a Fundação Universitária de Bauru se tornou Unesp, e há 20 anos estamos regidos por uma estrutura não democrática e aqui não estou me referindo aos 15%, que é causa e resultado de uma estrutura que nunca visou o real desenvolvimento de seu objetivo "princípios de liberdade de pensamento e de expressão de desenvolvimento crítico e reflexivo, com o objetivo permanente de criação e de transmissão do saber e da cultura, devendo: II - oferecer ensino público, gratuito e de qualidade, sem discriminação de qualquer natureza; IV - privilegiar e estimular a atividade intelectual e a reflexão continuada sobre a sociedade brasileira, defendendo e promovendo a cidadania, os direitos humanos e a justiça social".
Partindo da situação objetiva tentarei, enfim, expor minha reflexão.
Há pouco estivemos em processo eleitoral de reitor, será que é assim que deveríamos nomear tal palhaçada!? Aparentemente sim, afinal dois candidatos fazem campanha distribuindo santinhos e propostas, fazem visitas por todas as unidades e conversam com todos, do mais titulado docente ao mais simples funcionário, conversam até mesmo com os discentes em suas precárias instalações de Diretórios e Centros Acadêmicos, tudo isso com o intuito de conquistar a simpatia e o voto de cada membro da comunidade universitária. É, aparentemente estamos em uma eleição, mas não, NÃO estamos! Tudo isso é aparência, afinal nossos votos não elegem ninguém, tudo isso é um processo de consulta, afinal a decisão é do Excelentíssimo Senhor Governador de nosso estado.
Mas a farsa não acaba aí, os candidatos debatem e confrontam idéias iguais, afinal não há verdadeiramente oposição em um processo no qual só podem ser candidatos uma pequena casta de pessoas, o topo da cadeia alimentar, os Professores Titulares.
Titulares!? Que raios é isso? É professor que não é substituto?".
Antes fosse, Titular é o grau acadêmico máximo em nossa estrutura universitária, quantos assim você conhece? Alguns deles por acaso é o professor que está ao seu lado nas reivindicações pelos direitos da Universidade?
Respondendo pela minha realidade: "- Não, não é. E imagino que nunca vai ser."
Como então haver confronto de idéias se os que confrontam não estão lá?
A farsa se encerra (e tragicamente se inicia) na distribuição dos votos: "Os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração ou alteração do Estatuto e do Regimento Geral, bem como da escolha de dirigentes".


 


 


 

À continuar...

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