domingo, 25 de abril de 2010

No Feudo chamado USP, as práticas medievais continuam

Dias atrás escrevi um rápido texto no qual comentava que a USP se assemelhava a um Feudo, me referia às práticas institucionais de produtivismo e repressão armada. No entanto o comportamento medieval não se restringe aos alto escalões da universidade, está também nos estudantes.

Mas a notícia desse fim de semana é tão revoltante quanto a dos policiais e guardas espancando estudantes...



Jornal de alunos de farmácia da USP pede para jogar fezes em gays


O Parasita
"O Parasita" - periódico anônimo editado por estudantes da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP - de março e abril deste ano, exibe na sua página 2 um discurso contra dois gays que se beijaram numa festa da Faculdade de Medicina no ano passado:

"Lançe-merdas e Brega será na Faixa - Ultimamente nossa gloriosa faculdade vem sendo palco de cenas totalmente inadmissíveis. Ano passado, tivemos o famoso episódio em que 2 viadinhos trocaram beijos em uma festa no porão de med. Como se já não bastasse, um deles trajava uma camiseta da Atlética. Porra, manchar o nome de uma instituição da nossa faculdade em teritório dos medicus não pode ser tolerado. Na última festa dos bixos, os mesmos viadinhos citados acima, aprontaram uma pior ainda. Os seres se trancaram em uma cabine do banheiro, enquanto se ouviam dizeres do tipo "Aí, tira a mão daí." Se as coisas continuarem assim, nossa faculdade vai virar uma ECA. Para retornar a ordem na nossa querida Farmácia, O Parasita lança um desafio, jogue merda em um viado, que você receberá, totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010. Contamos com a colaboração de todos. Joãozinho Zé-Ruela".

Diversos estudantes da FCF foram entrevistados e demonstraram repúdio à publicação e negaram conhecer o responsável pelo texto...

“Faço parte da Atlética e ela não tem nada a ver com isso", garante Luma Flaiban. Luma também foi alvo de piadas do jornal, embora não tenha se sentido ofendida. "Eu não entendi o que eles quiseram dizer, e acho que ninguém entendeu".
"Ninguém na faculdade achou engraçado, estão todos revoltados. Nós convivemos com homossexuais nas festas que frequentamos", completa a estudante. Na Medicina, estudantes contrários a O Parasita estão distribuindo cópias da edição, em uma forma no mínimo curiosa de protesto.


Também foi entrevistado um dos personagens citados pelo jornal:

“É preciso ter tolerância. A diversidade existe e tem de existir. Eu me sinto atingido porque são pessoas que vivem ao meu lado todos os dias e elas se incomodam pelo meu jeito de viver”, diz Carlos Alberto Rossatto Junior, 24 anos, cursando o segundo ano da faculdade. "Eu me revolto porque esse é um tipo de coisa que não pode acontecer".

Carlos Alberto disse que não pretende tomar nenhuma providência contra os colegas. Para ele, o episódio não passa de um ato ignorante.

Ele falou ainda que, em outra ocasião, alunos da Farmácia atiraram uma lata de cerveja cheia em um casal homossexual durante o tradicional happy hour de quinta-feira na Escola de Comunicações e Artes da USP. “Por conta desse preconceito, muitos evitam se expor, para não ser mais motivo de chacota”.

Creio que não é preciso dizer muita coisa após todo esse absurdo. Mas fica claro a urgência de mudanças em nossa sociedade que infelizmente continua construindo mentalidades e atitudes como estas. Creio que nesse momento diversas notas de repúdio estão sendo escritas com capacidades de argumentação muito maiores que a minha. Portanto subscrevo-as posteriormente.

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