quinta-feira, 13 de maio de 2010

Vista do crepúsculo, no final do século - Eduardo Galeano

Na semana passada estava no Terminal rodoviário da Barra Funda esperando o ônibus que me traria para Botucatu. Tinha livro e cruzadinhas na mochila, mas resolvi passar na banca dar uma olhada e acabei comprando um pocket book do Eduardo Galeano, "De pernas pro ar", rápidas folheadas me levaram a querer comprar o livro... Ainda não o li, continuo lendo pedaços, quem sabe mais tarde falo mais do livro, mas já recomendo!
O livro é recheado de notas jornalísticas, "causos", gravuras, poemas, que se intercalam com o texto, e divido aqui um pequeno poema...

Vista do crepúsculo, no final do século

Está envenenada a terra que nos enterra ou desterra.
Já não há ar, só desar.
Já não há chuva, só chuva ácida.
Já não há parques, só parkings.
Já não há sociedade, só sociedades anônimas.
Empresas em lugar de nações.
Consumidores em lugar de cidadãos.
Aglomerações em lugar de cidades.
Não há pessoas, só públicos.
Não há realidades, só publicidades.
Não há visões, só televisões.
Para elogiar uma flor, diz-se: "Parece de plástico".
Eduardo Galeano - De pernas pro ar

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