quinta-feira, 10 de junho de 2010

Copa do Mundo, África, imprensa e eu por aqui palpitando

Copa do mundo é o assunto do momento e eu não poderia ficar sem palpitar! Mas meu palpite não vai ser sobre quem vai ser campeão, zebra ou artilheiro. Vou tentar falar para além do torcedor.

Futebol moleque


Apesar de gostar muito de futebol esta é minha primeira postagem sobre o assunto propriamente dito, em outros momento já falei sobre mais tangendo o assunto, como por exemplo na postagem Esportes, Nacionalismo, etc... na qual falo sobre defender um país em uma competição esportiva e as diferenças nesse aspecto quanto às seleções de rugby e futebol.
Pois bem lá dizia que o futebol é um esporte totalmente dominado pelo marketing e televisão, os jogadores ganham rios de dinheiro em salários e contratos de publicidade e não podemos negar que a Copa do Mundo é uma grande janela para isso. É só ver a quantidade imensa de jogadores fazendo qualquer tipo de propaganda. De salsicha à televisão, tudo que vemos e lemos agora é futebol, futebol, futebol.


A copa do mundo que teve início em 1930 no Uruguai já passou, além da América do Sul, por Europa, América do Norte e Ásia e pela primeira vez chega ao continente africano, um continente dito muito vezes como esquecido pelo mundo. O que na minha opinião é uma grande mentira. A África é muito bem lembrada, colonizada, explorada e utilizada pelo resto do mundo, que como uma criança que espalha os brinquedos pela sala e vai embora sem guardar, saiu de lá deixando uma bagunça sem tamanho. Bagunça que resulta até hoje em horrendas guerras civis, países disputados por milícias e grupos de extermínio, epidemias de doenças entre outras desgraças causadas por nós, que até hoje continua tirando de lá sem nada oferecer em troca. 

O impacto do futebol no mundo...
 O país sede é a África do Sul, país que é mais lembrado pelo Apartheid do que por qualquer outro motivo. Apartheid nada mais foi do que a escancaração do que vemos no resto do mundo: preconceito e discriminação. O país foi colonizado por, principalmente, holandeses e ingleses que submeteram a população local às crimes hediondos de discriminação. Após décadas de dominação informal promulgaram leis que instauraram um domínio oficial dos brancos. Os negros foram expulsos de suas casas, colocados em guetos e proibidos de frequentarem os locais “brancos”. As revoltas eram resolvidas à bala e prisões. Com custo de muitas vezes e muita luta o país, somente em 1990 e tendo Nelson Mandela como símbolo, conseguiu derrubar o apartheid e colocar todos em situação de igualdade. Bom, igualdade legal, né? Porque se por aqui a discriminação é absurda, imagina por lá. Ainda existem fortes núcleos de resistência da supremacia branca. Oficialmente a língua utilizada em documentos do governo é o inglês que é somente o quinto idioma em número de falantes. Só por aí fica fácil ver as contradições que por lá são mais do que aparentes.

Mandela e a Copa do Mundo
A escolha da FIFA, pela África do Sul é daquelas típicas síndromes burguesas de “remorso”. É um pedido de desculpas do velho mundo europeu por tudo que fizeram de mal na África. E é bom que os africanos entendam que isso é tudo que a supremacia branca consegue fazer.

Maior problema da África na atualidade
Nas últimas semanas o que vemos pela televisão, é como sempre puro lixo. “A união dos povos”, “Negros e brancos juntos por essa copa”. Tudo balela. O país não é unido, o país é um símbolo da desigualdade causada por um capitalismo predatório de pura exploração. As doenças matam, os negros moram em gigantescas favelas, que recentemente tiveram saneamento básico instalado, possibilitando o uso de privadas, que são coletivas e foram construídas em Soweto (favela negra em Joanesburgo) sem paredes. Somente privadas no meio das ruas. Mas isso quase ninguém vê. Sabe por quê? Porque o principal problema da África do Sul no momento é muito mais importante. E tem nome: Jabulani.

Pois bem, a Copa do mundo é mais um produto da suja sociedade do espetáculo. É mais um produto da pasteurização da cultura. É mais um produto da sociedade de consumo e do descartável. As bandeirinhas são descartáveis, as tabelas, os estádios e infelizmente, os jogadores também o são. Afinal são mais de 730 e só sabemos o nome de alguns “craques”. Talvez nem os do Brasil saibamos de cor. O que não é de se espantar, afinal, fomos treinados pela grande mídia a não gostar dessa seleção. Achar que é ruim, feia, mal escolhida, mas que mesmo assim tem que mostrar que é a melhor e ganhar.

Ridículo, não?

Pois é. E como tudo na vida tem suas contradições, eu cairei de cabeça nessa copa e vou assistir o máximo de jogos que puder. E que o Brasil, vença!

Um comentário:

  1. Bom, a Africa do Sul e a Africa como um todo são um tema bastante difícil.

    Acho que a Africa é um dos sinais que o chamado capital mostra em suas contradições: ele não admite patrão. A colonizadora Europa e o imperialismo dos EUA começam a ter seus sistemas de cidadania ameaçados pelas colônias que não gozavam deles. Previdência, funcionarios públicos bem pagos e etc começam a ruir perante uma concorrência ligada no foda-se como manda o capitalismo neo-liberal. Foda-se os direitos autorais, foda-se os royalties, os encargos sociais. Viva a propina e a corrupção. Os colonizadores estão ruindo e não necessariamente sendo substituídos.

    A Africa começa a ser buscada pelas parcerias "excluídas" como os paises latino-americanos e árabes. Aos poucos os países percebem que não são escravos da Europa e dos EUA.

    A Copa na Africa sinaliza sim algo de hipócrita. Mas ela não é algo como um "produto de culpa". Produto de culpa são as comidas gordurosas e as cirurgias estéticas. Ela é um produto de uma nova ordem mundial (não necessariamente A Nova Ordem Mundial) depois da Africa, o Brasil. Isso significa: estão rolando as escolhas para o próximo racha mundial.

    A Africa do Sul, apesar dos problemas, tem um abismo de diferenças com o resto do continente africano em termos de industrialização, importância econômica e estabilidade política.

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