10 de julho de 2010

Ópera do Malandro - III e IV - Viver do Amor e Uma Canção Desnaturada

Chico já cantou do Malandro, da cadeia (quase alimentar) da economia e já cantou da Ditadura. Então, abre espaço para que, a famosa cantora, Marlene cante sobre o amor.

Mas não aquele amor romântico, hollywoodiano, fantasioso. Mas o amor da vida real. Um amor que é batalhado, doído, seco. Que não é fácil, não é natural. É, como nas palavras da música, um sacrifício, sacerdócio.

A canção é marcada por uma bela linha de piano que conduz a música em conjunto com uma percussão bem marcada. Além dos metais que definem muito bem a melancolia contida na letra.

Nessa música, Chico, traz as histórias românticas de amor para a realidade dos malandros e seu cotidiano.


Pra se viver do amor / Há que esquecer o amor / Há que se amar
Sem amar / Sem prazer / E com despertador / como um funcionário

Há que penar no amor / Pra se ganhar no amor / Há que apanhar
E sangrar / E suar / Como um trabalhador

Ai, o amor / Jamais foi um sonho / O amor, eu bem sei
Já provei / E é um veneno medonho

É por isso que se há de entender / Que o amor não é um ócio
E compreender / Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício / O amor é sacerdócio
Amar é iluminar a dor / como um missionário


Após abrir espaço para Marlene cantar o sofrimento do amor, Chico se une para uma, como o título diz, Canção Desnaturada.

É uma música densa e pesada. Com uma letra tensa, mas que não consigo entender em plenitude.
Venho fazendo essas resenhas, não como um crítico musical, crítico literário, mas de acordo com o que eu penso e entendo. Não estou recorrendo à outras críticas e análises. Portanto, assumo, que boiei nessa aqui. Pode ser que exista uma mensagem na música que não saquei.
Mas em termos de musicalidade é linda: Lindo dueto de voz acompanhado com piano e cordas.


Por que cresceste, curuminha / Assim depressa, e estabanada / Saíste maquiada / Dentro do meu vestido
Se fosse permitido / Eu revertia o tempo / Para viver a tempo / De poder

Te ver as pernas bambas, curuminha / Batendo com a moleira / Te emporcalhando inteira
E eu te negar meu colo / Recuperar as noites, curuminha / Que atravessei em claro
Ignorar teu choro / E só cuidar de mim

Deixar-te arder em febre, curuminha / Cinquenta graus, tossir, bater o queixo
Vestir-te com desleixo / Tratar uma ama-seca / Quebrar tua boneca, curuminha
Raspar os teus cabelos / E ir te exibindo pelos / Botequins

Tornar azeite o leite / Do peito que mirraste / No chão que engatinhaste, salpicar
Mil cacos de vidro / Pelo cordão perdido / Te recolher pra sempre
À escuridão do ventre, curuminha / De onde não deverias / Nunca ter saído


Para as postagens sobre o álbum "Ópera do Malandro, clique no link: http://bit.ly/PalpMalandro

7 de julho de 2010

Ópera do Malandro - II - Hino de Duran

Na sequência de "O Malandro", Chico e o grupo "A Cor do Som" nos apresentam uma linda canção.

Um hino da luta contra a ditadura, "Hino de Duran" é uma canção que além de uma letra linda e contundente tem uma musicalidade sensacional! Um Hammond muito bem tocado, com um belo solo no final, fraseados de guitarra dão o tom contestatório da música. Vale a pena prestar atenção na música.

Nossa realidade é de bastante opressão. Somos massacrados por uma mídia monopolista e homogênea que nos impõe diariamente a verdade, por meio de diversas ideologias e moralismos. É uma realidade bastante cruel e cansativa, mas temos espaços de manifestações (cada vez menores e reprimidos). Diferentemente de um período de uma ditadura escancarada, no qual a reunião e a simples expressão de opinião era passível de prisão sem mandado, torturas, perseguições e todos os demais crimes que sabemos muito bem que ocorrem, mas que o governo, ainda, fecha os olhos.

Poderia tentar falar da letra, pedaço por pedaço (até tentei), mas é inútil. É de uma simplicidade de entendimento tremenda. É de uma contundência maior ainda. Nos mostra o sofrimento do período e nos alerta para que não deixemos que isso volte a ocorrer.


Se tu falas muitas palavras sutis / Se gostas de senhas sussurros ardís
A lei tem ouvidos pra te delatar / Nas pedras do teu próprio lar

Se trazes no bolso a contravenção / Muambas, baganas e nem um tostão
A lei te vigia, bandido infeliz / Com seus olhos de raios X

Se vives nas sombras freqüentas porões /Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã / Com seu faro de dobermam

E se definitivamente a sociedade / só te tem desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo, /és um estorvo, és um tumor
A lei fecha o livro, te pregam na cruz / depois chamam os urubus

Se pensas que burlas as normas penais / Insuflas agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar infrator / com seus braços de estivador

Se pensas que pensas estás redondamente enganado /E como já disse o Dr Eiras,
vem chegando aí, junto com o delegado / pra te levar...


Para acesso direto às postagens do álbum "Ópera do Malandro" utilize o link: http://bit.ly/PalpMalandro

Pois o futuro vos pertence! (Garotos Podres)

Em um show do Garotos Podres entendi a história da música "Aos Fuzilados da CSN". Já dava para entender o que tinha acontecido, mas, como faz no início da maioria das músicas, Mao (vocalista da banda) explicou que essa música era em homenagem a 3 operários mortos pelo exército brasileiro. Não lembrava a história direito e achei uma fonte aqui:

Em 1988, os operários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (que naquela época ainda não havia sido privatizada) realizaram uma greve com ocupação na empresa, que teve grande repercursão internacional, e foi um momento de dimensões históricas na luta de classes no Brasil.
A repressão foi muito dura, e o governo de José Sarney autorizou o Exército a invadir a empresa. No dia 9 de novembro, três operários foram mortos: Augusto Barroso, de 19 anos; Walmir Freitas Monteiro, 27 anos; e William Fernandes Leite, 22 anos - (do Blog Molotov).
Leia mais sobre a greve de 88, aqui

E agora fiquem com mais essa pérola dos Garotos Podres, que cita, além dessas mortes, outras torturas, espancamentos, prisões sem mandados e todos aqueles que sofrem na luta por um mundo mais justo e humano, pois a estes, o futuro pertence.


Aos que habitam / Cortiços e favelas
e mesmo que acordados / pelas sirenes das fábricas
não deixam de sonhar / de ter esperanças
pois o futuro /vos pertence

Pois o futuro vos pertence!

Aos que carregam rosas / Sem temer machucar as mãos
pois seu sangue não é azul / nem verde do Dólar
mas vermelho / da fúria amordaçada
de um grito de liberdade / preso na garganta

Fuzilados da CSN / assassinados no campo
torturados no DEOPS / espancados na greve
A cada passo desta marcha
Camponeses e operários
tombam homens fuzilados
Mas por mais rosas que os poderosos matem
nunca conseguirão deter a Primavera!
Pois o futuro vos pertence!

6 de julho de 2010

Bertold Brecht. IX - O Analfabeto Político

Bertold Brecht. IX - O Analfabeto Político

A campanha eleitoral brasileira 2010 foi oficialmente lançada:


Está aberta a temporada de caça aos votos

O Analfabeto Político

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo da vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.