segunda-feira, 15 de abril de 2013

Engraçadas cenas da corrupção cotidiana do cafézinho

Engraçadas cenas da corrupção cotidiana do cafézinho.

Estou na rodoviária. Parado há algumas horas em um café, aproveitando o tempo de espera para estudar.

Chega um grupo de homens, nitidamente da classe trabalhadora, roupas simples, chinelos e bastante bem-humorados conversando com as trabalhadoras do café sobre a receita do sanduíche da cidade que estamos e sobre futebol.

Instantes depois estaciona um carro de polícia aqui na frente, com as luzes do teto ligadas. Os homens aqui brincam "já chamaram a polícia pra nós". Uma das mulheres do balcão diz "é nada, esses aparecem toda noite tomar o cafézinho e pão de queijo deles". Um outro homem da turma diz algo como "aposto que é de graça". A mesma trabalhadora responde de forma côrtes, "ah, é cortesia. Eles fazem a segurança por aqui".

Em pouco mais de 10 minutos, ou o tempo de eu escrever essas breves linhas, eles passam algumas cantadas nas garçonetes, riem alto, tomam seu café, brincam com outras pessoas no café, entram no carro e vão embora.

Curioso, sempre tive a certeza de que esses policiais, fossem pagos para fazer a segurança dali e não que o fizessem por café cortesia.

Não que a cortesia e uma troca de solidariedade não sejam bem-vindas, o problema é o sistema dos diversos cafézinhos, bolinhos, trocados e outras barganhas que tais servidores públicos fazem no exercício de sua atividade empregatícia.

Principalmente pelo motivo do estabelecimento de quem não entra nessa, perde seus direitos de proteção, afinal nunca colaboraram com o pãozinho de queijo.

Ou do plano de saúde que te coloca na frente da fila de um equipamento que só tem no hospital do SUS.

Ou do vereador que leva saneamento pra sua rua, por conta do seu apoio na campanha.

Ou, ou, ou ou...

É muito próximo do funcionamento de qualquer máfia. Mas é o serviço público.

Mas isso não é uma ode à iniciativa privada dos serviços, afinal nela o funcionamento mafioso, criminoso e corruptor é modus operandi mínimo.

Também não é micropolítica em dizer de que se todos de baixo estivessem fazendo sua parte, as coisas mudariam.

Daqui de baixo, é só o reflexo de um sistema de relações baseado na competição e individualidade.

Portanto o "tudo bem, eu pelo menos estou fazendo minha parte", é tão competitivo e individual quanto.

Não há saídas individuais. Só a luta muda a vida.



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