sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A INOSPITALIDADE DA PUC-SP

Acabei de receber um e-mail da direção do câmpus Monte Alegre da PUC-SP e as náuseas vieram.

Já se passou 1 ano do golpe. Nesse um ano a universidade fechou seu diálogo. O que antes eram espaços de convivência se tornaram espaços de disputa. O que antes era pessoas, hoje são seguranças e câmeras de vigilância.

As condições de trabalho para professores e trabalhadores não-docentes pioram diariamente. As condições de estudo se tornam cada vez mais insuportáveis

e a diretora do Câmpus envia esse e-mail RIDÍCULO, PATÉTICO, ela diz que estava encastelada, pois bem, saiu do castelo, mas no período em que esteve por lá, FICOU CEGA.

Cara professora diretora Maria José Machado, a inospitalidade não está nas paredes sujas ou nas faltas de flores.

Flores, até plantamos. Mas cadê a bananeira?

Inospitalidade é golpe
Inospitalidade é intransigência
Inospitalidade é ditadura da vigilância
Inospitalidade é não respeitar colegiados e diálogos
Inospitalidade é a FUNDASP

Abaixo o texto enviado:

A INOSPITALIDADE DO MUNDO

Desde que cheguei à Direção do campus Monte Alegre notei, a cada dia, os problemas que aqui existiam. Sinto não ter percebido antes, culpo-me por ter-me encastelado em sala de aula e não ter visto o quanto este espaço tão querido foi deixado de lado.

Havia uma constante reclamação de todos que aqui "habitam", e que pareciam não ter percebido, como eu, o que aqui acontecia: o pouco respeito que há pelo lugar que ocupamos, a não preocupação pelo "aspecto físico" da Universidade.

Tenho procurado, desde então, melhorar este campus. Sabemos que há muito a ser feito e não é como um passe de mágica que isso possa ocorrer, pois goteiras aparecem em lugares inverossímeis, fechaduras quebram, havia morcegos e ratos, que já foram exterminados, como os pombos logo o serão.
Felizmente, contamos com profissionais altamente capacitados, como arquitetos, engenheiros e ferramenteiros que procuram da melhor forma contornar os "tsunamis".

E quando não há possibilidades de serem feitas grandes mudanças, pois os entraves são grandes, tenho procurado, dentro do possível, tornar a PUC-SP mais humana. Só num ambiente em que as pessoas sejam respeitadas, ouvidas e acolhidas, o trabalho flui com mais prazer.

Se não há possibilidade da pintura (por restrições do tombamento do prédio) e de reformas no campus, vamos tentar pelo menos, torná-lo mais agradável.

Não creio que reformar o Pátio da Cruz, colocar flores onde é possível, tentar melhorar a Praça de Alimentação, possibilitar que as pessoas tenham prazer em sentar em bancos recém pintados seja só perfumaria.

Como dito antes, encastelamo-nos em nosso "mundinho" e não vemos os jardineiros que diuturnamente cuidam do jardim, preocupados com a beleza do espaço em que trabalham. Também existem nas nossas Oficinas artesãos que são verdadeiros artistas. Alguém os conhece?

Tentando, ainda, mostrar que esta Universidade é Católica e que todos que aqui trabalham devem ser visíveis, fizemos em abril um trabalho junto aos funcionários da limpeza, mostrando-lhes sua importância. Sabemos que eles são bastante esforçados, mas a rotatividade é grande e por isso é necessário um reforço constante.

Ao reler Heiddegger, "descobri" o que muitos já sabem, que a angústia por não conseguir resultados é causada pela "inospitalidade do mundo". Estou procurando de todas as formas deixar fora do mundo da Universidade essa "inospitalidade", que tanto mal nos faz, e devo acreditar que conseguiremos muito lentamente.

É importante enfatizar que temos para a realização de nosso trabalho na direção de campus o apoio tanto da Reitora, Profª Anna Maria, como da Fundação São Paulo – FUNDASP.

Profª Maria José P. F. Pinheiro Machado
Diretora do Campus Monte Alegre

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