17 de outubro de 2014

O tamanho e o peso dos versos

Em certo momento da vida achava que escrever poesia era pura besteira
Em outro que era bom, que ajudava a alma
                                                            (alma?)
Achei que poesia era métrica, ritmo...
Uma dificuldade só.

Tempos bons, quando eu achava que o difícil eram o tamanho dos versos...
E que achava que o peso estavam neles.

A forma ainda tomava conta do conteúdo
Tem vezes que ainda acho.

Henrique Castro
12/04/2014
Santa Fé do Sul, enquanto o ônibus abastece

29 de agosto de 2014

MA - CA - CO e a monstruosidade que persiste

Ontem no estádio do Grêmio em Porto Alegre/RS o goleiro do Santos foi hostilizado por ser negro. Foi chamado em alto e bom som de macaco.

As imagens da televisão captaram uma torcedora gritando pausadamente MA - CA - CO, apareceram jornalistas e pessoas ligadas ao esporte pedindo punição e que a moça seja indiciada pela ofensa.

Em várias redes sociais vejo otári@s dizendo que é um absurdo e exagero querer "prender" a moça, afinal ela é branquinha, loirinha de olhos claros e que deve até ter amig@s negr@s.


É fantástico ver racistas sendo racistas no momento de defesa de outro racista.

Patético. Monstruoso.

13 de abril de 2014

Caminhando sem os próprios passos

Há quem diga que caminhando que se aprendem os passos. Não é mentira, mas talvez não seja nem meia-verdade.

Muito aprendi sem caminhar,
na minha infância viajei o mundo, o espaço e o tempo sentado no chão, aquecido pelos tapetes e animado pelos inúmeros volumes abertos da barsa e de um atlas escolar.

Acho que foi ali que iniciei meu romance com a história, com a geografia e,
foi, com certeza, ali que decidi ser paleontólogo e piloto de avião! (Piloto, ainda sonho ser)

Muito do que sei, aprendi ali, sem dar nenhum passo,
a não ser os suficientes pra ir roubar mais algum biscoito do pote em cima da mesa, que só poderia pegar depois do almoço.

Não sei quando ouvi pela primeira vez,
se foi na escola com alguma professora, 
em algum discurso da televisão, quando políticos diziam que o povo estava reaprendendo a democracia, caminhando seus passos.

Com menos de 10 anos de idade é claro que eu não entendia nada, afinal, eu tive a sorte de não precisar nem caminhar até à escola, pois meus pais podiam me levar de carro.
Eu aprendi sem precisar dar os passos.

Será que as crianças que iam a pé, aprendiam mais que eu?
Será que eu pensava nisso à época?
Por que será que penso agora?


Henrique Castro
12/04/2014
Em algum lugar da SP-320

13 de janeiro de 2014

O teu riso

O teu riso - Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

4 de janeiro de 2014

Estrelas, faróis e vaga-lumes

ESTRELAS, FARÓIS E VAGA-LUMES

Sob a luz de estrelas, faróis e vaga-lumes
eu ouvia uma canção, um misto
daquele gostoso som de água correndo
com risos ainda tímidos.

Sob a luz de estrelas, faróis e vaga-lumes
que iluminavm aquele chão de pedras
brilhava fundo o seu olhar que
mirava distante e profundo.

Sob a luz do brilho do seu olhar
minhas palavras se perdiam
minhas pernas sutilmente tremiam
meu coração, como pôdes sentir, disparara.

Sob um doce e inebriante perfume dos teus cabelos
tentei me explicar, tentei te entender.
Quis te beijar, quis não ter querer,
mas ao te abraçar, pude tudo esquecer.

Sobre tudo isso que rabisco,
arrisco, de longe, um beijos
daqueles roubados, cheios de desejos.
Na esperança de que um dia,
um dia...

(Parece que acaba assim, do nada, meio sem jeito, mas o poema é meu e não termina sem um beijo)



(Henrique Castro,
São Paulo, 02/12/2013)