13 de janeiro de 2014

O teu riso

O teu riso - Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

4 de janeiro de 2014

Estrelas, faróis e vaga-lumes

ESTRELAS, FARÓIS E VAGA-LUMES

Sob a luz de estrelas, faróis e vaga-lumes
eu ouvia uma canção, um misto
daquele gostoso som de água correndo
com risos ainda tímidos.

Sob a luz de estrelas, faróis e vaga-lumes
que iluminavm aquele chão de pedras
brilhava fundo o seu olhar que
mirava distante e profundo.

Sob a luz do brilho do seu olhar
minhas palavras se perdiam
minhas pernas sutilmente tremiam
meu coração, como pôdes sentir, disparara.

Sob um doce e inebriante perfume dos teus cabelos
tentei me explicar, tentei te entender.
Quis te beijar, quis não ter querer,
mas ao te abraçar, pude tudo esquecer.

Sobre tudo isso que rabisco,
arrisco, de longe, um beijos
daqueles roubados, cheios de desejos.
Na esperança de que um dia,
um dia...

(Parece que acaba assim, do nada, meio sem jeito, mas o poema é meu e não termina sem um beijo)



(Henrique Castro,
São Paulo, 02/12/2013)