13 de abril de 2014

Caminhando sem os próprios passos

Há quem diga que caminhando que se aprendem os passos. Não é mentira, mas talvez não seja nem meia-verdade.

Muito aprendi sem caminhar,
na minha infância viajei o mundo, o espaço e o tempo sentado no chão, aquecido pelos tapetes e animado pelos inúmeros volumes abertos da barsa e de um atlas escolar.

Acho que foi ali que iniciei meu romance com a história, com a geografia e,
foi, com certeza, ali que decidi ser paleontólogo e piloto de avião! (Piloto, ainda sonho ser)

Muito do que sei, aprendi ali, sem dar nenhum passo,
a não ser os suficientes pra ir roubar mais algum biscoito do pote em cima da mesa, que só poderia pegar depois do almoço.

Não sei quando ouvi pela primeira vez,
se foi na escola com alguma professora, 
em algum discurso da televisão, quando políticos diziam que o povo estava reaprendendo a democracia, caminhando seus passos.

Com menos de 10 anos de idade é claro que eu não entendia nada, afinal, eu tive a sorte de não precisar nem caminhar até à escola, pois meus pais podiam me levar de carro.
Eu aprendi sem precisar dar os passos.

Será que as crianças que iam a pé, aprendiam mais que eu?
Será que eu pensava nisso à época?
Por que será que penso agora?


Henrique Castro
12/04/2014
Em algum lugar da SP-320

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