24 de novembro de 2017

O banho de sangue de O Justiceiro cansa e não se justifica

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Destaque no início do segundo episódio, a Estátua da Liberdade, representa o que há de mais importante na terra e lar dos livres e corajosos, mas, como dizem, curiosamente ela nunca realmente chegou aos Estados Unidos. Ficou ali, bem próxima, à vista de todos, servindo de enfeite e local de turismo, mas eternamente fora do território norte-americano. Assim também é O Justiceiro da Netflix.

Os primeiros três ótimos episódios abrem a narrativa e apontam que a violência presente será trazida debatida (leia as impressões sobre os primeiros episódios), os crimes julgados, a corrupção punida, a problemática da posse de armas aprofundada, e os traumas de guerra discutidos, mas não é isso que nos é mostrado.

Frank Castle, O Justiceiro (Jon Bernthal) se une à David Lieberman, o Micro (Ebon Moss-Bachrach) não sem uma longa sessão de tortura para provar que Micro é confiável e possui interesse compatível, e agora está pronto para iniciar seu plano de vingança “com todos mortos, sem julgamentos e toda essa merda” à todos que julga responsáveis pela morte de sua família.

Ao longo de cinco ou seis longos episódios vemos a trama ser apresentada. Soldados, Oficiais e agentes de Inteligência de diversas agências usaram os corpos de soldados mortos na guerra como esconderijo para tráfico de heroína do Afeganistão para os Estados Unidos. Um dos soldados que não concordava com o que acontecia faz e vaza um vídeo. David é quem recebe e divulga o arquivo e, por conta disso, é perseguido e baleado, mas consegue sobreviver e escondido monta uma central tecnológica de dar inveja à inteligência do governo. Onde consegue dinheiro para tantos equipamentos e um ano de contas de energia e internet é um mistério.

O promissor grupo de apoio de Curtis é reduzido ao drama de Lewis Walcott (Daniel Webber) jovem perturbado que cai no papo de O’Connor (Delaney Williams) e agora panfletam na porta do Fórum pelo aprofundamento da Segunda Emenda que garanta o livre uso de armas para defesa dos valores tradicionais do país. Ao ser interpelado e levado por um policial e abandonado por O’Connor, Lewis perde o resto de controle de sua sanidade, mata seu breve mentor, constrói elaboradas bombas e realiza uma série de atentados na cidade de Nova Iorque.

Um grande acontecimento que poderia ter trazido uma reflexão razoável sobre o sofrimento e abandono dos veteranos que retornam ao país, que é resolvido de forma moralista, culpabilizando uma fraqueza do indivíduo como causa de todos seus problemas, o que é reforçado em um diálogo que ele tem com Castle que acusa-o de covardia, uma vez quem nem todos os que sofrem fazem o que ele fez. O mesmo discurso raso sem compromisso que ouvimos todos os dias pela mídias e governos que precisam se eximir das responsabilidades que também possuem.

Mídia que não é ignorada na trama, trás novamente Karen Page (Deborah Ann Woll) como a jornalista forte e que se posiciona pelas armas, defende mais uma vez o justiçamento, mas também discursa contra a covardia do terrorismo. Assim como senador anti-armas que aparece apenas para contratar a altamente militarizada Anvil e mostrar a contradição de seus ideais.

O terço final da série é uma ode ao derramamento de sangue. A violência é explícita e constante. As execuções em primeiro plano retornam, assim como longas torturas. O mirabolante plano de Castle para salvar, o agora amigo, Micro e incriminar Russo e o alto nome da CIA e cérebro de todas as operações Rawlins (Paul Schulze), o caricato vilão de James Bond com direito à cicatrizes e olho de vidro, é improvável e dá à série o tom cartunesco que ela ainda não possuía, na medida em que o protagonista vai apanhar até quase à morte e no respiro final virar o jogo.

Home (Lar) o penúltimo episódio é, talvez, o mais controverso de todos. Consigo ouvir urros de excitação, seguidos de socos no ar que muitas pessoas possam ter tido pela detalhada e demorada sessão de tortura que Russo e Rawlins conduzem à Castle. Contudo a violência não parece suficiente, em meio aos delírios que tem enquanto apanha a série faz um, no mínimo deselegante e de mau-gosto, pareamento entre tortura e sexo.

Castle tem visões que alternam a respiração profunda de seu algoz, com a respiração profunda de sua esposa durante uma transa. A cena é desnecessariamente longa e cansativa. Em seus delírios, após transar com a esposa, ela o convida para ir com ela para o lar, um convite para que ele entregue os pontos, morra e se una à família. Mas é no último momento que solta a mão da esposa, para poder assassinar seu algoz com suas próprias mãos, apertando e perfurando os dois olhos de Rawlins.

No último episódio temos o acerto de contas de Russo e Castle. Foram necessários 13 episódios para que um marine tivesse alguma reação de dor ao tomar um tiro. Russo grita e chora ao tomar um tiro na bochecha e arrancar com os dedos a bala que ficou presa em sua boca. Em mais uma grande exibição de violência Castle encerra o confronto esfregando o rosto de Russo em um espelho, dando assim a estética necessária para que Russo, em uma possível continuação, ser Retalho, um dos clássicos antagonistas de Castle nos quadrinhos.

Micro está de volta com a família, suas acusações de traição são retiradas e pode descansar em paz com a família. Madani consegue que seus superiores tirem todas acusações de Frank Castle. Marion James (Mary Elizabeth Mastrantonio) a cabeça da CIA que aparece durante toda a série como a pessoa incorruptível que busca a verdade, afirma, nos maiores moldes do Miniver de 1984, que uma nova narrativa será escrita, a CIA e o governo ficarão seguros, nada vazará e tudo continuará como sempre foi. Frank Castle não responderá à nenhum crime e ainda leva um envelope cheio de dinheiro para recomeçar a vida.

Sem nenhuma consequência toda caçada que O Justiceiro conduz é justificada. Todos crimes do governo e Forças Armadas são válidos desde que as instituições não sejam maculadas. Tudo continua como sempre foi. É como a Estátua da Liberdade que viajou tanto, ficou muito perto, mas nunca realmente chegou ao destino.

Em resumo Frank Castle, um psicopata sádico e calculista que tortura e mata em busca de vingança e um distorcido senso de justiçamento, mas que discursa contra a “covardia” do terrorismo é a caricatura de uma grande parcela da população (não só) norte-americana que provavelmente irá se deliciar nos longos e, muitas vezes, de mal gosto demonstrações de violência. É uma ótima produção, faz jus ao clima pesado dos quadrinhos de Castle, mas cansa e não chega à lugar nenhum que não um mero refestelamento da violência. Uma visão mais cartunesca e menos realista faria com que esses excessos talvez não acontecessem, mas assim, talvez, a série nem fosse produzida.

22 de novembro de 2017

O Justiceiro à solta e nossas primeiras impressões

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Desde o dia 17 de novembro está disponível na Netflix a primeira temporada de O Justiceiro. São 13 episódios que, definitivamente, você deveria assistir. E se ainda não assistiu, pelo menos, os três primeiros episódios e gosta de não ter nenhum spoiler recomendo que volte em breve.

Frank Castle, o Justiceiro (Jon Bernthal) está morto. Quem vemos em tela é Pete Castiglione, um sisudo trabalhador da construção civil que com um martelo em mãos golpeia uma parede que precisa ser derrubada, por meio de flashbacks percebemos que não é apenas a parede que está sendo golpeada, mas seu passado, as coisas que fez na guerra , além do sofrimento pela perda da família. Esposa, filha e filho aparecem a cada martelada que o resignado Pete dá sem descanso, como se quisesse expiar algum sentimento de dor e culpa que carrega.

Pete, em seu ritmo incessante de trabalho é caçoado e ameaçado pelos companheiros de trabalho, mas não responde, não revida, parece decidido em deixar para trás o passado de violência que o atormenta durante todo seu dia, acordando sempre assustado ao sonhar uma prosaica lembrança da esposa que sempre culmina com o assassinato da mesma em sua frente.

A busca por uma nova vida é interrompida, a violência chega até ele e novamente há sangue em suas mãos e mais, alguém sabe que ele está vivo e sabe dos crimes que ele cometeu na guerra. O disfarce parece não ser mais necessário, com cabelo e barba raspadas Frank Castle, o Justiceiro está de volta.

Porte de armas, traumas de guerra, justiça com as próprias mãos, conflitos étnicos e sociais, abusos e crimes de guerra cometidos pelas Forças Armadas americanas em solos estrangeiros. Além do arco do personagem título, a série traz luz a importantes e recorrentes debates nos EUA.

Presente na série a violência é uma constante, seja em cenas de execução sumária, boas sequências de lutas ou em ótimas cenas de guerra onde sangue não é economizado e a matança é quase tratada como dança, como na ótima sequência da emboscada à Frank no terceiro episódio, mas ela não é glamourizada. A violência não está ali para deleite e diversão, mas como causa imediata do sofrimento de Frank e tantos outros soldados.

A violência, portanto, tem peso, tem consequência como podemos ver, no que pode vir a ser dos mais importantes núcleos da série, um grupo de apoio à soldados veteranos das mais diversas e recentes guerras dos Estados Unidos. Desde “baboseiras sentimentais” à “lutei por esse país e não tem mais lugar para mim aqui” são alguns tópicos discutidos pelos membros. Um senhor afirma que liberais politicamente corretos querem tirar direitos e armas dos cristãos patriotas que são a minoria perseguida no país, enquanto panfleta sobre justiça com as próprias mãos usando uma camiseta da NRA (National Rifle Association), enquanto veteranos negros reclamam dessa velha ladainha.

O Grupo de Apoio, conduzido por Curtis Hoyle (Jason R. Moore), ex-soldado e companheiro de Frank na guerra, tem tudo para ser o espaço onde a série poderá mostrar que não veio apenas para adaptar um atormentado personagem de quadrinhos de 1974, mas, também, dialogar sobre problemas candentes da atualidade com uma nova geração de fãs de quadrinhos, heróis e anti-heróis.

O Justiceiro estreia em um ano que tem ultrapassado, tanto em episódios, quantos em vítimas, os casos de mass shootings nos EUA e isso não pode passar desapercebido. Os primeiros três episódios apontam que existe uma preocupação, veremos como isso se desenrolará.

Clique aqui e leia a segunda parte da análise.

5 de setembro de 2017

Planeta dos Macacos enfim


Um plano distante nos apresenta uma mata fechada, na tela um curto parágrafo resume o primeiro filme da trilogia, as letras somem lentamente e apenas uma permanece em tela “Rise” (A Origem), o mesmo acontece mais para “Dawn” (O Confronto) e, finalmente, para “War” (A Guerra). O plano vai fechando e vemos, pelas costas, um batalhão humano mata adentro. A brilhante e enfática trilha sonora (assinada por Michael Giacchino) e a fotografia (por Michael Seresin) rapidamente nos informam que aquilo é uma guerra. Os capacetes dos soldados trazem escritos que  além de nos remeter diretamente à Nascido para Matar (Full Metal Jacket, 1987), apresentam uma sigla que será repetida ao longo do filme “ΑΩ”.

Homens avistam uma trincheira. Além de binóculos e outros tecnológicos equipamentos eles contam com a ajuda de macacos... Macacos que trazem em seu rosto o ΑΩ marcados à ferro, e a palavra “Donkey” (Jumento) pintada nas costas. Em poucos instantes fogo pesado desmonta a primeira linha símia, o que parecia ser um massacre é rapidamente invertido com um rápido contra ataque de chuva de flechas, explosivos e tiros que matam praticamente todos humanos.

A cena corta e agora vemos a trincheira por dentro, a câmera em primeira pessoa mostra uma sequência de macacos, com pinturas de guerra pelo corpo, reverenciando a chegada de César que vem interrogar os prisioneiros. A tensão está criada, a guerra já começou...

A sequência do filme nos apresenta os personagens centrais que estarão em cena por todo o filme e suas motivações. Algumas bastante fortes e significativas, outras mais fracas, e aparentemente rápidas demais (como a relação entre Nova e Luca), mas justificadas tanto pelas tramas dos filmes anteriores, quanto, e em especial, pela tensão do conflito iminente. Além de César e seus primeiros em comando, eles encontram uma criança humana e um chimpanzé ermitão (que funciona como um alívio cômico na medida certa) que também sabe falar.

Mesmo com uma guerra pela frente, um dos conflitos centrais do filme é o vivido por César em sua luta interna para manter seus ideais na medida em que se vê cada vez mais parecido com Koba (Chimpanzé que rivalizara sua liderança no filme anterior) e com o ódio que ele sentia dos humanos, que somente cresce ao conhecer o Coronel (cujo nome não sabemos), seus planos (em relação aos macacos e aos outros humanos) e suas motivações. Inclusive o diálogo que ambos travam na sala de guerra do Coronel é um dos pontos altos do filme, no qual podemos ver a interpretação de ambos brilharem. Um Woody Harrelson, dando a vida à um “Coronel Kurtz” do apocalipse símio (aliás também várias são as referências à Apocalypse Now) e, em especial, um Andy Serkis com sua “vestimenta” de computação gráfica.


No terceiro ato temos a guerra propriamente dita, com um inimigo que não é exatamente o esperado, trazendo uma boa emoção para o conflito, que após muito tiro e explosão tem sua resolução de forma relativamente rápida. Não chega a ser um “deus ex machina” propriamente pois tudo estava em nossa cara o tempo inteiro, mas funciona quase como um. O final do longa é um maravilhoso epílogo que nos leva, com muito zelo e boa direção, à 1968 e ao primeiro filme “O Planeta dos Macacos”.

Com alguns easter eggs à própria franquia (planos, nomes e localizações) e à outros filmes de guerra do gênero (Jimi Hendrix tocando em alto e bom som na sala do Coronel é uma viagem aos filmes da Guerra do Vietnã), com um bom roteiro e com o fantástico trabalho de computação gráfica e a brilhante atuação de Andy Serkis, O Planeta dos Macacos: A Guerra é um ótimo filme e encerra muito bem a trilogia. Algumas motivações rápidas demais, alguns momentos em que o exército humano é extremamente descuidado e pouco vigilante e uma resolução fácil demais tiram um pouco o brilho do filme, mas sem prejudicar em nada a experiência e o entretenimento.

1 de setembro de 2017

Concerto Tributo à John Williams







Talvez muita gente não reconheça de primeira o nome de "John Williams", mas é, para pessoas de qualquer idade, praticamente impossível não reconhecer alguns de seus trabalhos. Músico, regente e compositor, John Williams deixou sua marca na história da música e se tornou nome de respeito na indústria do entretenimento. E no final de agosto foi homenageado pela Orquestra Sinfônica Municipal no Theatro Municipal de São Paulo.


Palco montado para uma orquestra de 77 músicos e com um pequeno atraso, não comum no Municipal, teve início o concerto. De cara duas coisas a serem notadas, o regente, Roberto Minczuk, que não usava nenhuma partitura e regia com grande intensidade e um letreiro (usado nas legendas para as Óperas) que anunciava as peças que estavam sendo executadas.


O Concerto


A primeira música executada foi um dos temas de E.T., uma peça calma e muito bonita, ótima para começar a aquecer nossos ouvidos para a música de orquestra, e também, como não poderia ser diferente em uma noite dessas, nossos corações.

Na sequência um início de trompas anunciava o tema de Jurassic Park. Uma fantástica música que remetia diretamente às emoções de quando pela primeira vez vimos dinossauros "reais" no cinema.

Na sequência uma verdadeira imersão... A linda introdução de "Hedwig's Theme" tocada na celesta nos coloca dentro de Hogwarts, como se o teto no Municipal fosse substituído por nuvens e trovões. O tema é seguido por "Nimbus 2000" e uma música creditada como "Fantástico mundo de Harry Potter" completaram a viagem ao mundo bruxo.

Ao fim dos aplausos o regente, pelo microfone, faz uma rápida apresentação sobre a importância das trilhas sonoras de filmes e jogos como, muitas vezes, o primeiro contato que as pessoas tem com a música de orquestra, além de uma breve apresentação da John Williams e suas influências. E apresenta o tema seguinte com uma anedota... Diz a lenda que Steven Spielberg ao ouvir as prévias que Williams tinha realizado para o próximo filme diz que não poderia ser daquele jeito, assim... com apenas duas notas. E Williams responde com um "Steven confie em mim".

Para bom entendedor só uma dessas notas bastava... Um longo tom grave no piano, algumas cordas ressoam e, de forma realmente apavorante, fagotes iniciam a a sequência cromática que tanto nos angustia ao longo de todo filme "Tubarão".

O tema seguinte como de praxe inicia aos poucos com algumas notas que se repetem até os metais nos convidarem à ação. Tive vontade de jogar meu chicote no lustre central do Municipal e fugir da iminente e imensa rocha que começaria a me perseguir. O tema de "Indiana Jones" mostra como Williams é genial em transmitir a emoção desejada, pois estava ali sentado em uma poltrona no alto do Theatro Municipal e pronto para a aventura. Com a adrenalina no alto um intervalo nos convida para recuperar o fôlego e esticar as pernas.

Descanso merecido para músicos e público, uma vez que a volta seria em um tom menos festivo que todo resto do concerto. Agora com um belo e choroso violino solo (e finalmente alguma partitura para o regente) chegamos ao tema de "A Lista de Schindler", seguidos pelas canções "Cidade Judaica" e "Lembranças" que contou com um tocante e solene dueto de harpa e violino.

Nada de feliz ou alegre poderia ser executado automaticamente na sequência, então, o regente apresenta mais uma história da colaboração de Spielberg e Williams. Durante a produção o diretor envia o roteiro e as primeiras cenas para Willians que retorna dizendo que ele não poderia nunca ser o autor dessa trilha que merecia um compositor melhor. Spielberg concorda "é verdade, mas todos eles já estão mortos. John, eu confio em você" devolvendo a confiança conquistada em Tubarão. Uma bela história que servia, principalmente, para nos habilitar a novamente poder se empolgar.

Star Wars uma Ópera Espacial

O regente abre a contagem, um prato soa e todo o naipe de metais abrem em um nota alta e longa, e assim, escandalosamente épica conseguimos ver letrinhas amarelas na tela. Daí em diante podemos mentalmente rever todo o filme: O fim do letreiro de introdução acaba, a música acalma, os violinos tomam a frente e vemos a câmera descendo pelo espaço, até encontrar um planeta com uma pequena nave passando por cima dele, e então o terror de uma gigantesca nave que parece nunca acabar. Ouvir o tema de “Star Wars” sendo executado por uma orquestra faz entender porque tantas são as vezes em que Star Wars é descrito como uma “Space Opera”. Realmente o filme acontece colado à trilha sonora. O que torna a trilha, o filme e a presente experiência ainda mais incríveis!

Após o tema principal, o tema da Princesa Leia, uma belíssima canção que mostra leveza e poder, e que com a ainda recente perda de Carrie Fisher, fica ainda mais triste. Na sequência o tema da da Sala do Trono e o Finale, novamente contam a história do filme. Ouvimos ali dentro o tema da Força, deliciosamente cantado por um oboé, e junto do Luke assistimos o pôr-dos-sóis de Tatooine, ouvimos o momento em Han e Luke são honrados com as medalhas pós batalha, e sabemos exatamente quando o filme acaba e o nome de George Lucas surge na tela.

Todos de pé vibram, aplaudem e agradecem ao conjunto de homens e mulheres que proporcionaram aquele espetáculo! O Regente sai de cena, a plateia puxa as palmas ritmadas pedindo bis e o regente retorna e anuncia que a partir daquele momento fotos e vídeos são permitidos.

É hora do #bisnomunicipal e hora de mais uma vez John Williams surpreender e nos colocar com um olhar grave ao horizonte, mãos na cintura e vontade de sair dali voando junto de Kal-El! O tema de Superman é brilhantemente executado e tudo o que nos resta é respirar fundo, voltar para casa e... Assistir “Uma nova esperança” mais uma vez!


30 de agosto de 2017

Exposição grátis apresenta heróis da DC nos traços de Ivan Reis



Esse texto foi originalmente postado no YadaYada! Acesse e, também, acompanhe o trabalho da Mell!

Sobre sentidos e significados, Saramago

Parte da psicologia, da linguística, semiótica e outras ciências se debruçam para estudar sentidos e significados.

Como toda boa ciência faz isso de maneira longa, exaustiva e muitas vezes perde para a simplicidade da boa literatura.

Eu já sofri disso com meu tema de pesquisa e Mia Couto (como pode ver aqui), e agora vamos com outro brilhante lusófono...

"Depois de o enfermeiro ter saído, o Sr. José ficou deitado ainda uns minutos, sem se mexer, a recuperar a serenidade e as forças. O diálogo fora difícil, com alçapões e portas falsas surgindo a casa passo, o mais pequeno deslize poderia tê-lo arrastado a uma confissão completa se não fosse estar o seu espírito atento aos múltiplos sentidos das palavras que cautelosamente ia pronunciando, sobretudo aquelas que parecem ter um sentido só, com elas é que é preciso mais cuidado. Ao contrário do que em geral se crê, sentido e significado nunca foram a mesma coisa, o significado fica-se logo por aí, é directo, literal, explícito, fechado em si mesmo, unívoco, por assim dizer, ao passo que o sentido não é capaz de permanecer quieto, fervilha de sentidos segundos, terceiros e quartos, de direcções irradiantes que se vão dividindo e subdividindo em ramos e ramilhos, até se perderem de vista, o sentido de cada palavra parece-se com uma estrela quando se põe a projectar marés vivas pelo espaço fora, ventos cósmicos, perturbações magnéticas, aflições".

(José Saramago, Todos os Nomes p.134-135)

21 de julho de 2017

Suposições em Game of Thrones

Jon (e todo mundo) precisa muito de Obsidiana e Aço Valiriano para sobrevivência.

- corta a cena -

Daenerys está em cima de uma montanha de obsidiana, mas Aço Valiriano está em falta...

- corta a cena -

Sam está descobrindo muitas coisas, coisas que podem curar Jorah (que diga-se de passagem está cumprindo ordens de se curar). A série já fez o link de ambos em uma cena, é fácil supor que a cura irá ocorrer.

- corta a cena -

Jon precisará convencer Daenerys sobre os perigos do norte e sobre a mineração sob o chão de sua casa. Tyrion está lá, o meio-homem conhece Jon, conhece a patrulha (ele bebe e sabe coisas, certo?) e deve ser dos poucos westerosi abaixo do Gargalo que acreditam nas "lendas" pra lá da muralha. No entanto, mesmo que Tyrion seja um incentivo, talvez não seja o suficiente. Mas um Jorah curado e devendo um favor à Sam (que provavelmente estará junto) pode ser mais um fator de influência sobre os perigos do norte, afinal ele também é do norte.

- corta a cena -

Jorah desonrou a família e foi expulso. Jorah traiu Daenerys e foi expulso. Aparentemente ele está em um caminho de redenção. Quer fazer as coisas direito. Suponho que caso ele vá ao norte ele tome mais um belo discurso de Lyanna Mormont que relembre que ele desonrou a família. Mas ele talvez venha trazendo Obsidiana, e agora amigo do Sam, mais uma espada de Aço Valiriano (já que não se falou mais da espada e aparentemente esqueceram que Randyll Tarly é um psycho que com certeza estaria espumando atrás do Sam) para a causa. Talvez nessas idas e vindas todas um Jorah debilitado morra e isso seja parte final de sua redenção.

- corta a cena -

Temos Garralonga, Veneno do Coração, Cumpridora de Promessas, talvez a adaga (de alguém, do Tyrion) do Mindinho que (talvez) está com Arya, enfim, poucas armas de Aço Valiriano. Talvez seja melhor ter várias adagas, ou espadas curtas do que apenas três espadonas. Mas ninguém mais trabalha aço valiriano. Ei... Espera, quem é aquele com chifres vindo ao longe? Ah é Gendry, cujo mestre ferreiro era o último homem em Westeros que sabia trabalhar o aço, e que passou os últimos 3 anos em Valyria/Asshai/Algum confim qualquer refinando a técnica.

- corta a cena -

PS: Sam, Jorah só vão chegar em Pedra do Dragão depois que Danny tiver resolvido a guerra em Porto Real. Cersei morre. Assim como Jaime e Arya.

PS2: A série está muito dando dicas que Arya vai matar a Cersei, mas nos livros existe um profecia que ela vai morrer pelas mãos do irmão mais novo (tanto Jaime qto Tyrion sao mais novos). Seria coerente ela morrer pelo Jaime (ele é regicida, pode ser rainhocida tb e ele tb ja disse que vai embora desse mundo junto com ela) e se matar. Mas pode ser que a Arya mate ele e use rosto dele para matar a Cersei. Depois disso a série tb n deve matar a Arya matando 3 protagonistas em 1 episodio. Mas seria coerente se matasse já que o arco dela é de vingança e com isso a vingança estaria completa (se ela matar o montanha tb né. mas ele ja ta "morto"). Fim.