5 de setembro de 2017

Planeta dos Macacos enfim


Um plano distante nos apresenta uma mata fechada, na tela um curto parágrafo resume o primeiro filme da trilogia, as letras somem lentamente e apenas uma permanece em tela “Rise” (A Origem), o mesmo acontece mais para “Dawn” (O Confronto) e, finalmente, para “War” (A Guerra). O plano vai fechando e vemos, pelas costas, um batalhão humano mata adentro. A brilhante e enfática trilha sonora (assinada por Michael Giacchino) e a fotografia (por Michael Seresin) rapidamente nos informam que aquilo é uma guerra. Os capacetes dos soldados trazem escritos que  além de nos remeter diretamente à Nascido para Matar (Full Metal Jacket, 1987), apresentam uma sigla que será repetida ao longo do filme “ΑΩ”.

Homens avistam uma trincheira. Além de binóculos e outros tecnológicos equipamentos eles contam com a ajuda de macacos... Macacos que trazem em seu rosto o ΑΩ marcados à ferro, e a palavra “Donkey” (Jumento) pintada nas costas. Em poucos instantes fogo pesado desmonta a primeira linha símia, o que parecia ser um massacre é rapidamente invertido com um rápido contra ataque de chuva de flechas, explosivos e tiros que matam praticamente todos humanos.

A cena corta e agora vemos a trincheira por dentro, a câmera em primeira pessoa mostra uma sequência de macacos, com pinturas de guerra pelo corpo, reverenciando a chegada de César que vem interrogar os prisioneiros. A tensão está criada, a guerra já começou...

A sequência do filme nos apresenta os personagens centrais que estarão em cena por todo o filme e suas motivações. Algumas bastante fortes e significativas, outras mais fracas, e aparentemente rápidas demais (como a relação entre Nova e Luca), mas justificadas tanto pelas tramas dos filmes anteriores, quanto, e em especial, pela tensão do conflito iminente. Além de César e seus primeiros em comando, eles encontram uma criança humana e um chimpanzé ermitão (que funciona como um alívio cômico na medida certa) que também sabe falar.

Mesmo com uma guerra pela frente, um dos conflitos centrais do filme é o vivido por César em sua luta interna para manter seus ideais na medida em que se vê cada vez mais parecido com Koba (Chimpanzé que rivalizara sua liderança no filme anterior) e com o ódio que ele sentia dos humanos, que somente cresce ao conhecer o Coronel (cujo nome não sabemos), seus planos (em relação aos macacos e aos outros humanos) e suas motivações. Inclusive o diálogo que ambos travam na sala de guerra do Coronel é um dos pontos altos do filme, no qual podemos ver a interpretação de ambos brilharem. Um Woody Harrelson, dando a vida à um “Coronel Kurtz” do apocalipse símio (aliás também várias são as referências à Apocalypse Now) e, em especial, um Andy Serkis com sua “vestimenta” de computação gráfica.


No terceiro ato temos a guerra propriamente dita, com um inimigo que não é exatamente o esperado, trazendo uma boa emoção para o conflito, que após muito tiro e explosão tem sua resolução de forma relativamente rápida. Não chega a ser um “deus ex machina” propriamente pois tudo estava em nossa cara o tempo inteiro, mas funciona quase como um. O final do longa é um maravilhoso epílogo que nos leva, com muito zelo e boa direção, à 1968 e ao primeiro filme “O Planeta dos Macacos”.

Com alguns easter eggs à própria franquia (planos, nomes e localizações) e à outros filmes de guerra do gênero (Jimi Hendrix tocando em alto e bom som na sala do Coronel é uma viagem aos filmes da Guerra do Vietnã), com um bom roteiro e com o fantástico trabalho de computação gráfica e a brilhante atuação de Andy Serkis, O Planeta dos Macacos: A Guerra é um ótimo filme e encerra muito bem a trilogia. Algumas motivações rápidas demais, alguns momentos em que o exército humano é extremamente descuidado e pouco vigilante e uma resolução fácil demais tiram um pouco o brilho do filme, mas sem prejudicar em nada a experiência e o entretenimento.

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